Logo na introdução de Amor líquido, Bauman fala da facilidade do desengajamento e do rompimento (a qualquer hora) das relações numa sociedade globalizada e conectada, reconfigurando os riscos e as ansiedades que as envolvem. 

Dessa forma prevalece  um sentimento de “desagradável incerteza e irritante confusão”, justificada na velocidade em que essas trocas acontecem. ⁠

⁠Não é de hoje (na verdade, já se passaram décadas) que aprendemos a consumir conteúdos, sejam eles de formação ou entretenimento, on-line. Atualmente mais da metade da população mundial pode obter um diploma ou assistir um show com x artistas de sua preferência, sem sair de casa.

Em 2015, o “rapper, cantor, compositor, produtor musical, ator e empresário canadense” Aubrey Drake Graham, mais conhecido como Drake – sim, o cara do meme, lançou a música Hotline Bling.

Curiosamente o tema da canção chiclete do Drake coincide, mesmo que de maneira superficial, a questão central apontada por Bauman: a forma como nossas relações tornam-se cada vez mais flexíveis, virtualmente mediadas e como isso afeta também nossa individualidade.

Não despretensiosamente, o clipe que figura Hotline Bling, apresenta uma estética minimalista em uma atmosfera um tanto futurista. Como esse texto traz curiosidades e conexões não muito óbvias, vemos que o cenário em que Drake aparece fazendo uma coreografia duvidosa e que quase como ironia viralizou sua imagem na internet, foi inspirado nos trabalhos do artista norte-americano James Turrell. 

Turrell trabalha com a luz em ambientes controlados dedicando-se em particular as condições de alteração da percepção humana conforme o entorno. Ele diz: “Meu trabalho não tem objeto, imagem ou foco. Sem objeto, sem imagem e sem foco, o que você está vendo? Você está olhando para você olhando. O que é importante para mim é criar uma experiência de pensamento sem palavras.”

Essa experiência individualizante proposta nas instalações de Turrell é sutilmente apropriada e aparece implícita na narrativa “superficial” de hotline bling. 

O que quero dizer com isso, para além da visão pessimista de Bauman, é que quando nossas relações são majoritariamente mediadas por interfaces luminosas, o que temos é também uma experiência individualizante. Com a atenção que isso quase nunca nos parece explícito e talvez essa seja uma das principais causas do estado de confusão que o autor alerta presenciarmos. 

Comecei a trabalhar com conteúdo para internet em 2016, tanto voltado para o ensino quanto para o entretenimento. Hoje percebo como temáticas comuns em minha prática artística as tecnologias de comunicação, a democratização do acesso à informação, a contemplação do cotidiano e uma busca inevitável pelo desenvolvimento humano e espiritual.

Pensando nisso mantenho esse espaço para compartilhamento de ideias, referências, processos de aprendizagem etc… e também um espaço para exposições virtuais, conteúdos e séries exclusivas, porque acredito no potencial transformador de experiências únicas e me esforço para que não pareçam demasiado superficiais e/ou ludibriantes. 

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Antes que se vá, gostaria de lembrar: suas impressões são fundamentais para que eu continue desenvolvendo esses trabalhos. Aceito opiniões, críticas, sugestões…

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